GAZETA DO POVO

PARANÁ - QUARTA-FEIRA, 27 de outubro de 2004
MPB![]()
Com gosto de manhã![]()
Após 16 anos sem gravar, Dulce Quental lança seu quarto registro![]()
Autora do hit oitentista “Sempre Free” e líder da banda que o interpretava, a Sempre Livre, Dulce Quental, após deixar o grupo lançou ainda mais três trabalhos durante os áureos tempos da saia balonê: Délica (1986), Voz Azul (1987) e Dulce Quental (1988).
Os álbuns rederam bons momentos a sua carreira, como a interpretação de “Caleidoscópio” – escrita por Herbert Vianna e gravada pelos Paralamas do Sucesso somente após a canção ter estourado na voz de Dulce – além da releitura de Michael Jackson, “Natureza Humana”, versão assinada por Jorge & Waly Salomão.
Mesmo sem gravar novos trabalhos, Dulce manteve-se na ativa em parcerias como “O Poeta Está Vivo”, ao lado de Roberto Frejat, “Cidade Partida”, do Cidade Negra, e canções interpretadas por outros artistas, como Ana Carolina. Após 16 anos de seu último registro, Dulce acaba de lançar – primeiramente em Portugal – Beleza Roubada, quarto álbum de sua carreira.
Assim como a carreira da cantora, o novo registro é recheado de parcerias. Logo de cara, Dulce divide a autoria da faixa de abertura com a colega Zélia Duncan, na denominada valsa moderna “Capuccino”. Misturando bases eletrônicas simples, a camadas de teclados e uma leve base de violão, o forte da canção é mesmo a interpretação da cantora, que desfila com graça sua voz entre os doces versos “sentindo apenas a brisa do presente/sorvendo o gosto da vida na espuma dos dias que passam por nós”, para depois dar a receita da bebida com gosto de manhã e brisa de canela.
Seguindo os caminhos da brasileira-nova-iorquina Bebel Gilberto, Dulce aposta na bossa nova com uma roupagem eletrônica na faixa-título “Beleza Roubada”, na parceria com o compositor Moska “Bordados de Psicodélia” e no trabalho conjunto com Frejat “No Topo do Mundo”. Ao lado do guitarrista, Dulce homenageia o lisérgico poeta beat Allen Ginsberg em “Conferências Sobre o Nada”, que conta com trechos das palavras inflamadas do próprio. Homenagem também ao mineiro Fernando Sabino, na faixa “O Escritor”, também dá o ar da graça na canção, finalizada antes de sua morte.
Fechando o álbum Dulce arrisca uma “Recita de Felicidade”, encerrando com a voz da filha Alice, cantando para si mesma o inocente samba “Bolinha de Sabão” (Orlan Divo/ Adilson Azevedo). Um belo registro que não deve decepcionar aos que enfrentaram 16 anos de espera. GGG1/2
Juliana Girardi
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